quarta-feira, 9 de abril de 2008

Sofá da sala


Imagem: http://www.altamira.co.pt


Eu escutava o som do carro dele se aproximando de casa. Fazendo o retorno na avenida, a esquina e parando em frente. Não que fosse algo estrondosamente barulhento, não pense isso. Mas escutava. Mais uma dessas coisas completamente inexplicáveis.

Então eu corria, alegre, provavelmente com aquele riso característico das crianças com menos de 5 ou 6 anos. Corria e me escondia. Qualquer lugar que pudesse me ocultar servia, mas era bom inovar, não repetir. Mas, com a inocência inerte das crianças, os "esconderijos" eram os mesmo 2 ou 3 lugares de sempre. O preferido era atrás de um dos sofás da sala.

Coisa de criança.

Mas já fui além, me escondendo dentro de um guarda roupa. Um grande triunfo.

Então ele entrava em casa, e já sabia: devia me procurar.

E ele vinha, e sem muita dificuldade, mas representando muito bem, e me encontrava.

Eu adorava fazer aquilo. Era um ritual praticamente diário para mim e meu pai.

Meu pai voltava do trabalho para almoçar? Não sem antes ter a "difícil" tarefa de me encontrar, me divertir um pouco, e pronto.

Com o tempo, como tudo, isso passou. O motivo, eu não sei ao certo. Talvez o fato de ele ter se aposentado enquanto eu era muito novo ainda, tenha ajudado.

E, porque isso quebrava o "ritual" de todos os dias.

Claro que isso foi substituido por outras coisas. Mas quase nada do que fizemos nos anos seguintes era igual aquilo.

Bons tempos, boas coisas.

Um comentário:

kk disse...

Catarse eu digo, catarse.