sábado, 9 de maio de 2009

Humanidade (2)

Existem momentos em que tudo se perde, existem momentos onde nada faz sentido e você tem certeza de que tudo é vão e gratuito.

A existência é vã e efêmera, e tudo o que você conhece é dor e sofrimento. Você não entende onde o principio de evolução se encaixa, nem espiritual nem biologicamente. Talvez apenas o bilógico faça sentido. É, talvez esse faça sentido. Os mais fortes vencem. Os mais fortes são aqueles que conseguem resistir por mais tempo a dor. Vence quem for capaz de se adaptar as circunstâncias para viver. Aquele que for capaz de ignorar a dor ou transformá-la em potência para sobreviver.

Sobreviver, é nisso que se resume a existência.
Sobreviver, é nisso que se resume a existência?

No turbilhão da vida, você avança. Você está entorpecido, mas você ainda sente, e isso é uma premissa absolutamente contraditória e que faz absolutamente todo o sentido.

Então você sabe que há algo de errado. Não porque as coisas estão erradas, mas porque o que é errado começa a parecer certo, embora você continue odiando e amaldiçoando tudo quanto for errado.

Leis universais? Leis da existência? Leis humanas?

Você, que é um humanista, que não consegue ser um humanitário.

Tudo é vão e gratuito.

Você sofre, você sente dor, você persiste, você empunha seu estandarte de coragem e orgulho, mas eles são falhos e não representam nada, nem mesmo para você.

Pequenos valores burgueses, pequenas palavras humanas.

Palavras serão sempre palavras e sentimentos serão sempre sentimentos

E talvez você continue sofrendo. E talvez você continue existindo.

Tudo é vão e gratuito.

Por um instante fugaz como a eternidade, você sabe disso. Você sabe que tem de ir embora, que tem de descansar. E você sabe que não pode ser assim.

Você quer que tudo não seja vão e gratuito.

Para você a vida não é assim.

Embora todos insistam em te mostrar o contrário. E você os contradiz. Você adora ser do contra, desde pequeno. Contradizendo a tudo, com sua lógica indubitável, mas falha, por vezes. Faz parte da existência.

Você suspira. E leva as mãos a cabeça.

Nada faz sentido. Quisera que um dia fizesse. Quisera que um dia faça.