Enquanto a legião se posiciona para a batalha ao pé do monte, frente aos batalhões inimigos, estes, silenciam à espera da batalha.
Temor? Existe, é claro. Mas eles ainda confiam. Confiam que o resultado pode ser diferente. Confiam que podem derrotar o inimigo, apesar da visível diferença numérica.
Mas é isso. Eles podem derrotar o inimigo. Eles podem derrotar todos eles. Mesmo que houvesse 10 inimigos para cada um deles, eles poderiam derrotá-los! Mais, ainda que houvesse 100 por 1, eles iriam derrotá-los! A derrota inimiga era iminente!
Seus próprios comandantes passam de um lado para o outro discursando, gritando palavras de força, de alento, de coragem, de conforto e de glória.
"Nosso senhor está conosco! O nosso senhor da batalha nos guiará ao triunfo!"
Os batalhões rugem. Um rugido grave, quase um trovar. Um trovar que silencia de repente.
Os comandantes então olham em direção ao inimigo, e do inimigo ao monte. No alto de sua corcova, quatro silhuetas, quatro vultos.
Quatro guerreiros que descem o monte.
O rugido que prenunciava a gloria, agora tornou-se um silencio inquietante. Que de silencio transformou-se em murmúrio, e que rapidamente transformou-se em inquietação coletiva.
"São eles!"
"Não, não podem ser eles..."
"Mas são eles!"
"Os protegidos!"
"Os enviados!"
Tudo isso dito com o pavor da morte estampado em seus rostos.
Para eles não havia mais esperança. Aqueles quatro eram protegidos pelo senhor da guerra.
Não havia mais esperança.
Não havia mais saída.
A única opção sensata seria fugir, debandar a todos!
Mas mesmo que quisessem, só o fariam se os quatro permitissem.
Eles estavam ali, e nada aconteceria (nem a batalha, nem a não-batalha) a menos que eles quisessem.
A legião inimiga poderia sentar inteira e descansar. Poderiam até levantar acampamento se quisessem. Eram o que diziam. As lendas falam de batalhões inteiros que haviam sido derrotados pelos quatro. Em poucas horas. E sem que ninguém sobrevivesse.
Não havia jeito.
Tudo estava perdido.
Eles chegaram.
A batalha já vai começar.
A batalha já vai terminar.
domingo, 13 de abril de 2008
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Sofá da sala
Eu escutava o som do carro dele se aproximando de casa. Fazendo o retorno na avenida, a esquina e parando em frente. Não que fosse algo estrondosamente barulhento, não pense isso. Mas escutava. Mais uma dessas coisas completamente inexplicáveis.
Então eu corria, alegre, provavelmente com aquele riso característico das crianças com menos de 5 ou 6 anos. Corria e me escondia. Qualquer lugar que pudesse me ocultar servia, mas era bom inovar, não repetir. Mas, com a inocência inerte das crianças, os "esconderijos" eram os mesmo 2 ou 3 lugares de sempre. O preferido era atrás de um dos sofás da sala.
Coisa de criança.
Mas já fui além, me escondendo dentro de um guarda roupa. Um grande triunfo.
Então ele entrava em casa, e já sabia: devia me procurar.
E ele vinha, e sem muita dificuldade, mas representando muito bem, e me encontrava.
Eu adorava fazer aquilo. Era um ritual praticamente diário para mim e meu pai.
Meu pai voltava do trabalho para almoçar? Não sem antes ter a "difícil" tarefa de me encontrar, me divertir um pouco, e pronto.
Com o tempo, como tudo, isso passou. O motivo, eu não sei ao certo. Talvez o fato de ele ter se aposentado enquanto eu era muito novo ainda, tenha ajudado.
E, porque isso quebrava o "ritual" de todos os dias.
Claro que isso foi substituido por outras coisas. Mas quase nada do que fizemos nos anos seguintes era igual aquilo.
Bons tempos, boas coisas.
Então eu corria, alegre, provavelmente com aquele riso característico das crianças com menos de 5 ou 6 anos. Corria e me escondia. Qualquer lugar que pudesse me ocultar servia, mas era bom inovar, não repetir. Mas, com a inocência inerte das crianças, os "esconderijos" eram os mesmo 2 ou 3 lugares de sempre. O preferido era atrás de um dos sofás da sala.
Coisa de criança.
Mas já fui além, me escondendo dentro de um guarda roupa. Um grande triunfo.
Então ele entrava em casa, e já sabia: devia me procurar.
E ele vinha, e sem muita dificuldade, mas representando muito bem, e me encontrava.
Eu adorava fazer aquilo. Era um ritual praticamente diário para mim e meu pai.
Meu pai voltava do trabalho para almoçar? Não sem antes ter a "difícil" tarefa de me encontrar, me divertir um pouco, e pronto.
Com o tempo, como tudo, isso passou. O motivo, eu não sei ao certo. Talvez o fato de ele ter se aposentado enquanto eu era muito novo ainda, tenha ajudado.
E, porque isso quebrava o "ritual" de todos os dias.
Claro que isso foi substituido por outras coisas. Mas quase nada do que fizemos nos anos seguintes era igual aquilo.
Bons tempos, boas coisas.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Rubras lembranças

Já que hoje é dia 4 de abril, um dia histórico para todos os gaúchos e festivo para pelo menos a metade de nós, é justo que comece a falar sobre esse tema.
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Não tenho lembraça exata de quando, em qual momento de minha vida me tornei colorado. Torço por esse time desde minhas mais antigas lembranças. Óbviamente que muitas delas são como manchas, pequenos vultos, recortes. São muito antigas.
Tenho lembrança de um momento, em um dia qualquer, do ano que eu acredito ser 1995. A lembrança nao me permite saber nem mesmo a época do ano. Minto. Eu lembro do sol, era final de tarde. Devia ser verão. A lembrança nao é propriamente de meu time, mas, ironicamente, do rival. Eu lembro de estar no quintal de minha casa,na calçada que a circunda, bem sobre uma de suas "esquinas", de frente para a rua (e, por mera coincidencia, de fronte para a esquina desta rua). De repente a vizinhança é tomada por um rumor que cresce e rompe em uma comemoração, talvez com algum foguetório. Não lembro de muitas pessoas passarem comemorando, apenas de um ex-vizinho meu, que era mais novo, passar trajando a camiseta e comemorando bastante. Não sei se é essa a razão, mas eu nunca me afeiçoei a ele.
Lembro-me de me perguntar pq eram eles e não nós que comemoravamos. Bem, eu nao entendia muito mais do que isso naquela época. E é exatamente por nao entender muito mais do que isso, que eu acredito que o ano não era o ano de 1995. Talvez 1994. Ou 1993, de onde surgem minhas memorias mais antigas, e que nada têem a ver com futebol. Mas, se assim for, as datas e os motivos de comemoração do rival nao batem, e logo, minha lembrança estaria errada.
Minha memória me trai.
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Outra lembrança muito viva em minha memória data de 1997, mas agora sim com toda certeza. Era o mês de maio, eu acredito. Era final do Campeonato Gaúcho, e como nao podia deixar de ser, um clássico Gre-nal. Eu não lembro de ter assistido ao jogo, acredito que fui impedido de fazê-lo. Mas lembro muito bem da manhã seguinte no colégio: a flauta. a corneta. Eu "cornetiei" os rivais. E muito. Lembro inclusive de uma amiga minha muito especial, que entrou na sala de aula enrrolada na bandeira rubra. Os rivais estremesseram. Queriam sumir dali, queriam que o tempo passasse, queriam esquecer aquele dia.
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Lembro-me também de momentos que eu nao sei ao certo quando foram, mas que não foram momentos muito gratos. A década de 90, salvo um ou outro momento, não nos foi boa. Em alguma fase nao muito consciente de minha vida, muito inferior aos 10 anos, me questionei sobre minha paixão clubística. O momento não era bom, e mesmo nos momentos bons, os rivais tinham um único argumento que destroçava toda a nossa imensa lista de argumentos. Certamente eu me questionei. Mas não havia jeito. O estrago estava feito. Estava em meu sangue, em minha pele, era mais forte do que eu. Eu era assim, e não havia forma alguma de mudar.
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Recordo-me também de algumas poucas historias que me foram contadas, sobre grandes ídolos: Falcão, Carpegiani, Manga, Don Elias Figueroa, Taffarel... Eram tantos...
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Tenho lembrança de uma breve discussão a cerca de nossos estádios
Eu: Sabia que nosso estádio é o maior estádio privado do Brasil, e o maior do sul do país? *sorriso de vitória*
rival: *silencio*... É o maior, mas não é o mais bonito¹! *sorriso de vitória*
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E assim vai. Coisas que são inexplicáveis. Coisas que só podemos sentir. E que nossas memorias não explicam. Apenas aguçam nosso sentimento.
¹ Hoje, com toda a certeza do mundo, isso não é uma verdade *sorriso de vitória*
The Week
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