Sou o que?Pipa verde voante,
Plaina no céu,
A mão, oh, a mão!
Concreta invisível,
Um puxão, opa!
Uma cambalhota no ar,
e lá se vai outra paixão.
E o vento?
Vento não há.
Onde estou?
Nuvem brilhante
Risca o céu ligeira, arredia,
E o vento que sopra, sopa!
Mas já não é dia,
E de novo se some, no horizonte,
Outro lugar, outro nome.
E o vento?
Vento não há.
Vento que voa,
Sonoro, cantante.
Me responda, oh vento maneador:
Pra onde vais, tão apressado?
Uiva de angústia,
Por um destino desregrado?
Vento que esvoaça,
Frio, cortante.
O que fizeste para a pipa?
Pipa verde voante,
Para onde levaste, a nuvem brilhante?
Oh vento que maneia,
O destino que semeia.
Não sabes para onde vais,
Não sabes porque vais,
E assim como nós,
Tantos de nós.