Enquanto a legião se posiciona para a batalha ao pé do monte, frente aos batalhões inimigos, estes, silenciam à espera da batalha.
Temor? Existe, é claro. Mas eles ainda confiam. Confiam que o resultado pode ser diferente. Confiam que podem derrotar o inimigo, apesar da visível diferença numérica.
Mas é isso. Eles podem derrotar o inimigo. Eles podem derrotar todos eles. Mesmo que houvesse 10 inimigos para cada um deles, eles poderiam derrotá-los! Mais, ainda que houvesse 100 por 1, eles iriam derrotá-los! A derrota inimiga era iminente!
Seus próprios comandantes passam de um lado para o outro discursando, gritando palavras de força, de alento, de coragem, de conforto e de glória.
"Nosso senhor está conosco! O nosso senhor da batalha nos guiará ao triunfo!"
Os batalhões rugem. Um rugido grave, quase um trovar. Um trovar que silencia de repente.
Os comandantes então olham em direção ao inimigo, e do inimigo ao monte. No alto de sua corcova, quatro silhuetas, quatro vultos.
Quatro guerreiros que descem o monte.
O rugido que prenunciava a gloria, agora tornou-se um silencio inquietante. Que de silencio transformou-se em murmúrio, e que rapidamente transformou-se em inquietação coletiva.
"São eles!"
"Não, não podem ser eles..."
"Mas são eles!"
"Os protegidos!"
"Os enviados!"
Tudo isso dito com o pavor da morte estampado em seus rostos.
Para eles não havia mais esperança. Aqueles quatro eram protegidos pelo senhor da guerra.
Não havia mais esperança.
Não havia mais saída.
A única opção sensata seria fugir, debandar a todos!
Mas mesmo que quisessem, só o fariam se os quatro permitissem.
Eles estavam ali, e nada aconteceria (nem a batalha, nem a não-batalha) a menos que eles quisessem.
A legião inimiga poderia sentar inteira e descansar. Poderiam até levantar acampamento se quisessem. Eram o que diziam. As lendas falam de batalhões inteiros que haviam sido derrotados pelos quatro. Em poucas horas. E sem que ninguém sobrevivesse.
Não havia jeito.
Tudo estava perdido.
Eles chegaram.
A batalha já vai começar.
A batalha já vai terminar.
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2 comentários:
Bernard Cornwell, já leu?
Se não, quando tiver tempo vc definitivamente qtem ue ler!
Palavras posicionadas de forma a abrir espaço para a sensação!
Muito bom, como sempre Luigi!
Catarse no sentido de conseguir introduzir o público emocionalmente na cena, na mesma sensação, é como se a cena trouxesse a lembrança da própria vivência e fizesse o público se identificar com aquilo, trazendo as mesmas emoções.. sensações e blá blás blás de momento!
=)
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