Acordo sobressaltado. No susto, automaticamente minha mão procura pela adaga que sempre carrego em minha cintura, mas ela não estava ali. Minha mente gira, meus pensamentos estão desalinhados. Não consigo lembrar de coisa alguma. Meu ombro queima, e meu corpo dói. Abrir os olhos e ver o que se passa a minha volta seria uma ideia deveras inteligente, mas não surte efeito. Estou por demais atordoado e tudo que vejo a minha volta são sombras, silhuetas imoveis.
Espere, não estão imoveis. Estão se mexendo, se mexendo freneticamente. O mundo começa a girar. Estou desfalecendo. Minha cabeça arde. E as sombras tomam minha mente.
...
Acordo novamente. Quanto tempo terá se passado desde meu ultimo acordar? Isso é uma incognita para mim. Ainda está dificil enxergar, mas dessa vez consigo notar o raio de sol que me despertara. A dor no ombro ainda persiste, assim como a ausencia de minha adaga.
Apenas agora noto que existe uma segunda pessoa sentada ao lado de minha cama. Forço a vista por alguns instantes e então percebo que trata-se e uma jovem donzela. Recosto a cabeça no travesseiro novamente, e aguardo enquanto meus pensamentos se reorganizam.
Devo estar sonhando, um devaneio. Onde estarei? Quem será essa jovem ao meu lado? Aliás, quem mesmo sou eu?
Kaoul, não exagere, você sabe muito bem quem és. És Kaoul, acabas de dizer. Mas isso ainda nao responde as outras duas questões. Procuro novamente por minha adaga, involuntariamente talvez. Realmente ela não está lá. Maldição!
Praticamente já recobrei meus sentidos e então tento levantar-me da cama. A jovem vem ao meu encontro, impedindo-me de realizar meu intento.
- Não se esforce ainda, lord Kaoul.
Uma voz doce, porém decidida. Abro meus olhos novamente, e agora sim, consigo distinguir as coisas. Bom, se havia alguma duvida quanto a jovem, ela acaba aqui: não era uma jovem donzela, e sim uma jovem infante. Uma guerreira, suas vestes não lhe deixavam duvida.
Cabelos negros, não muito compridos, à altura do ombro. Um rosto da mesma forma não muito grande, de traços leves. Lábios bem feitos, um tanto carnudos, e vermelhos. Olhos negros, e muito vivos. Era linda. E sorria para mim. Um sorriso confortante apenas. Vendo-o, páro de resistir e deixo que ela conduza meu corpo novamente ao recostar da cama. Continuo a olhar para ela e a tentar desvendar o que se passa por aqui.
- Quem tu és? - arrisco.
- Chamam-me de Capitã Blaotyn. E por hora, é tudo que devas saber, mylord. - diz isso enquanto pega uma vasilha com agua e se retira do quarto.
Capitã Blaotyn. Denominação que não me é estranha. Já a ouvi em algum lugar. Tento recordar, mas é em vão. Outras perguntas ainda persistem: onde estou? como vim parar aqui?
A ultima coisa que me lembro é...
Ainda não estou certo, mas recordo-me de estar partindo junto com as tropas o Lord Isaul, para enfrentar as tropas do... de quem mesmo? Ainda estou confuso. Talvez seja melhor voltar a dormir. Sim, dormir, é uma otima idéia. Dormir...
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Um comentário:
Nobre cavaleiro, receba minhas simples felicitações pelo modo como escreve! Suas palavras me tocam, levam-me a outro mundo.
Anseio pela continuação deste conto.
Até mais ver.
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