A realidade seria muito melhor se fosse despida de máscaras.
Posto isso, faz-se necessário uma reflexão: quando te olhas no espelho, o que vês? Vês a ti mesmo? Vês aquele que és, de fato? Vês o reflexo de teus sentimentos, das tuas crenças, dos teus sonhos? Enxergas a tua alma? Ou o que vês é meramente assim como uma máscara?
Se fores assim, és uma exceção, uma grata excessão. Exceção porque o mundo é mascarado. A realidade em que estamos, está oculta por uma grande máscara. Máscara essa que nos atinge, nos cobre, nos afeta.
Assim como o ator grego que vestia a persona* para interpretar, és um grande personagem, se tu não fores tu mesmo para o mundo. A máscara permitia que o ator deixasse de ser ele mesmo, passando a ser outro, o personagem, para convencer a platéia, os críticos, de que aquele que lá estava, de que aquele que falava e gesticulava, não era ele mesmo, mas sim outro. Com outros pensamentos, com outras ideias, com outros sonhos, todos esses minimamente transmitidos ao mundo exterior por sua máscara. Em suma, um grande engodo.
Com atuações mais ou menos brilhantes, todos, eu repito, todos, eu brado, TODOS, usamos máscaras para nos diluirmos na realidade. A diferença entre nós, está no fato de continuar escondido atrás de uma máscara, aceitando as imposições que lhe forem feitas, aceitando a padronização de rostos, ou descartá-la, quebrar sua máscara e se livrar de sua influência.
Vocês buscam ser padrões em uma realidade sem padrões. Buscam uma máscara padronizada de aceitação, um rosto sem rosto, uma massa de iguais. Mas suas almas não são iguais. E vocês sabem disso. Ao menos, até em algum momento de vossas vidas, sabeis disso. Mas a mentira quando repetida por muitas vezes, não ganha ares de verdade? O mentiroso corre o risco de acreditar em sua própria lorota?
Por certo que pode. E é isso que acontece, a todo instante. Se insistirem com suas máscaras (porque nunca existe uma única), a um dado momento, esquecerão que atrás da máscara existe um rosto. Esquecerão de como é este rosto e o que ele representa.
Não somos iguais. Não podemos procurar pela igualdade, quando o sentido de tudo não se encontra nisto.
Não podes procurar pela aceitação dos outros, e muito menos aceitar a eles, sem primeiro, te aceitares a ti próprio.
Não poderás entender a alma alheia, se não compreenderes a tua própria.
E não conseguirás fazer nada disso, se estiveres escondido atrás de uma máscara, porque não conseguirá fitar a realidade além do alcance destes olhos que não são teus.
Por isso, te olhes no espelho. O que vês?
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Desejo o dia em que todos quebremos nossas máscaras. Desejo que hoje minhas máscaras continuem quebradas.
Desejo a verdade. Desejo ser verdadeiro.
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Um comentário:
Como vc consegue ser tão subjetivo e atingir assim as pessoas?
VocÊ escreve muito bem, sou sua fã de carteirinha...
Também "não desejo ser feliz, mas verdadeira"...
Abaixo à hipocrisia e vivas à Sociedade dos Poetas Vivos!!!
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