domingo, 27 de janeiro de 2008

Dialógos solitários

A caminhada era dura, dolorosa para si, e principalmente para seu cavalo. Cavalgar sobre aquele terreno, definitivamente não era fácil. Como se as inumeras pedras, somadas ao terreno liso e inclinado, não fossem o bastante, ainda havia aquela pequena camada de gelo, pequena o suficiente para retardá-lo ainda mais e fazer com que seu fiel amigo sofresse ainda mais.

Em seu rosto soprava um vento frio e úmido, anunciando a nevasca que a noite traria. Como se o frio que ele suportara até agora não fosse o suficiente! Mas não havia outra escolha, ele teria que transpor a serra, se quisesse ter alguma chance de alcançá-la a tempo.

Tentar outro caminho? Não havia esperaça. Haviam apenas 3 caminhos viáveis a serem percorridos para alcançar o seu destino: o primeiro deles passava por terras ocupadas pelo inimigo, que, segundo os viajantes, haviam montado inumeras barreiras ao longo da estrada, em pontos estratégicos. Não era prudente arriscar. Ainda faltava muito para alcançar o seu intuito, e esse encontro com o inimigo se faria mais necessário o quão mais próximo dela ele pudesse estar. De preferencia, o suficiente para sentir o seu perfume. (ah, o seu perfume!) Já o segundo caminho, estava bloqueado a certa altura, soterrado por um deslizamento de terra e rochas (que como se não fosse o bastante, havia trazido consigo 4 ou 5 toneladas de neve da encosta da serra proxima). Além deles, havia ainda uma passagem nordeste, que cortava a serra, e contornando-a em meio ao vale.

Embora essa fosse uma região desocupada, onde aqueles ("malditos", pensava ele) lacaios não
se arriscariam a estar, era prudente evitar o vale, deixando a passagem e rumando a noroeste, de forma a subir a serra definitivamente, e tentar alcançar a passagem do outro lado, após o vale. Esse caminho era mais longo (umas 5 ou 6 horas a mais, calculava ele) e lhe traria outro problema: Não havia um caminho ou passagem a seguir. Seria necessario caminhar as cegas, se guiando pelo que via, ouvia, e sentia.

Passar pelo vale seria seguro apenas a noite. Mas com a nevasca que se anunciava, ele não teria chance. Subindo a serra, também seria terrivel, mas pelo vale...Definitivamente não.

"Meu pobre e fiel amigo" Pensava, enquanto acariciava o pêlo do pescoço de seu cavalo. "Mesmo agora, sob todas essas condições, você continua..."

- Vamos meu amigo. Em duas ou três horas, logo que anoitecer, vamos parar para descansar um pouco.

- Ou muito - disse aquela voz cortante.

- Você outra vez?

- Outra vez? Eu nunca lhe abandonei, eu sempre estive ao seu lado nessa empreitada. Ao seu lado, e ao do seu amigo aí.

- Ao meu lado? Niguem está ao meu lado, muito menos você, desgraçado.

- Ninguém está ao seu lado? Pobre garoto. Pobre homem. Ninguém está, é verdade?

- Ninguém.

- E seu cavalo?

- ...Certo. Apenas ele.

- Apenas ele?

- Apenas ele.

- Pobre homem. Pobre garoto. Pobre cavalo.

- O que diabos você quer?

- Ora ora ora, quanta hostilidade, meu jovem! Seja paciente!

- Paciencia requer tempo, e tempo é algo do qual eu não disponho agora! SE É QUE VOCÊ NÃO NOTOU!

- Certo, certo, certo... Você tem razão. Você não tem tempo. Você também não tem ninguém, não é verdade?

- Com exceção do cavalo.

- Com exceção do cavalo.

E a noite se aproxima fria e lentamente.

2 comentários:

kk disse...

Adoro ler o que você escreve, luigi
:)

kk disse...

Ué! é, não sei, mas sempre tem um mas!! hsauahsuha posso não saber sem me importar agora, posso saber e não gostar.. então se agora não sei, e não me importo de não saber.. no momento, então.. =)

hsauhauhasuas
bjs!